Coração à mesa
Afaste o risco cardiovascular do seu prato, evitando o consumo excessivo de sal, um dos fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovascular. Como? Privilegiando uma alimentação temperada pelos sabores mediterrânicos

Quer pelos que cá moram, quer por todos aqueles que, ano após ano, nos visitam, Portugal é amplamente reconhecido como um país com uma gastronomia de exceção e temperos cativantes. Saber apreciar o melhor da tradição nacional à mesa não significa, porém, abdicar de manter hábitos de alimentação condizentes com um estilo de vida saudável e equilibrado.

Portugal regista uma elevada prevalência de fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como a hipertensão, pelo que um dos primeiros gestos para prevenir, antes de saborear, está em reduzir a quantidade de sal ingerida. O consumo excessivo deste condimento pode também contribuir para o aumento do risco de aparecimento de determinados tipos de cancro, como cancro do estômago, para a sobrecarga do funcionamento renal e para uma maior retenção de líquidos pelo organismo.

Para mitigar a presença do sal na sua cozinha, comece por diminuir gradualmente a quantidade de sal na confeção das refeições e perca o hábito de levar o saleiro para a mesa, para não cair na tentação de adicionar mais sal ao prato durante a refeição. Tendo ainda em consideração que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda um consumo máximo diário de sal de cinco gramas para adultos, evite também alimentos com elevado teor de sal, como enlatados e produtos de charcutaria, e leia cuidadosamente os rótulos dos alimentos, optando por aqueles que têm menos quantidade de sódio.

E se não gosta de comida sensaborona, não se preocupe. As ervas aromáticas são um substituto à altura para dar um tempero especial, para além serem nutricionalmente ricas: salsa, hortelã, coentros, orégãos, tomilho e alecrim são alguns dos exemplos. Especiarias como a pimenta, colorau ou pimentão, açafrão, caril e noz-moscada, entre outras, ou sumo de limão são outras alternativas mais “amigas” do coração.

 

Tempero mediterrânico

Para promover o bem-estar à mesa, nada como seguir a tradição ancestral. O segredo está na dieta mediterrânica, que dá prioridade aos produtos locais, da época, e põe em evidência os vegetais frescos, a fruta e as leguminosas como o feijão, o grão ou a ervilha. Na base deste padrão alimentar mais saudável está ainda o azeite, enquanto gordura principal, e preparados culinários simples, como a sopa. O pão também pode estar presente, mas de preferência de mistura ou integral, tal como os laticínios magros. Às refeições principais, privilegie o peixe e carnes magras como a de aves e coelho face às carnes vermelhas. Para acompanhar, beba sempre água, ao longo de todo o dia, embora o vinho, sempre de forma ocasional e moderada, possa surgir às refeições principais.