A Fadiga Crónica e a Depressão
Enquanto apenas uma pequena percentagem da população já sofreu de um episódio depressivo, pelo menos uma vez na vida, essa taxa aumenta entre as pessoas com fadiga crónica.

 

Não se pode, apesar disso, afirmar que a depressão seja a causa da síndrome. Provou-se que está relacionada e que nestes doentes a falta de entusiasmo e a dificuldade em lidar com a rotina podem evoluir para uma depressão. Convém, no entanto, salientar que estas pessoas não apresentam distúrbios psíquicos, apesar do abatimento que advém dos sintomas da fadiga crónica. Não devem, pois, ser vistas como tendo apenas problemas depressivos e muito menos como arquitetos de queixas imaginadas e falsas. Ainda assim, e porque a depressão acompanha a síndrome da fadiga crónica, a terapia pode passar também pela toma de antidepressivos leves, que ajudam a estabilizar o sono, por exemplo.

Dada a diversidade de sintomas não existe uma medicação específica. Para aliviar as dores são propostos analgésicos e anti-inflamatórios. É igualmente frequente que sejam administrados fármacos para revitalizar as funções suprarrenais e regular a produção de hormonas.

Para relaxar os músculos, um banho de água morna é um bom aliado, massagens relaxantes também ajudam. E para melhorar o estado físico em geral nada como praticar exercício.

O diagnóstico também é feito por parcelas, ou melhor, por exclusão de partes, já que os sintomas da fadiga crónica são comuns a muitas outras doenças. A diferença reside na conjugação desses sintomas por um período de tempo prolongado numa pessoa que anteriormente não os apresentava e com tal gravidade que provoca alterações significativas no seu dia a dia.

É precisamente no quebrar dessas rotinas que pode estar uma ajuda para minorar as consequências desta complexa doença. Não se trata de uma mudança radical de vida, mas médicos e terapeutas propõem que as pessoas se disponibilizem a levar uma vida mais calma, evitando expor-se a situações causadoras de grande stress físico ou psicológico, equilibrando os momentos de atividade com os de repouso.

A verdade é que a síndrome da fadiga crónica pode ser incapacitante, embora o doente pareça estar bem. Os sintomas podem não parecer graves, mas são. E muitos doentes sofrem em silêncio, sujeitos à incompreensão que advém do facto de a doença ainda ser pouco divulgada. Assim, quando nos deparamos com alguém que pareça viver sempre cansado, o mais provável é que essa pessoa não seja preguiçosa, mas que sofra de fadiga crónica.